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As plaquetas são células que possuem propriedade de coagular o sangue, são produzidas na medula óssea e sua função é estancar/impedir hemorragia. O valor considerado normal de plaquetas é 150.000 a 400.000/mm³.

A plaquetopenia,também denominada por trombocitopenia, é a diminuição do número de plaquetas no sangue (menor que 150.000/mm³). Nos pacientes oncológicos, a plaquetopenia tem origem multifatorial, resultantes tanto de efeitos diretos do tumor quanto de múltiplos mecanismos de causas secundárias, como invasão da medula óssea, processos inflamatórios e efeitos relacionados à quimioterapia ou à radioterapia, esta alteração é comumente causada pelos efeitos tóxicos de alguns medicamentos quimioterápicos à medula óssea com comprometimento do seu funcionamento normal, assim a quimioterapia faz com que seja mais difícil a produção de plaquetas pela medula óssea, por conseguinte ocorre a plaquetopenia.Porém, o próprio câncer e tratamentos oncológicos anteriores podem iniciar ou agravar a plaquetopenia. Além disso, outros medicamentos não-quimioterápicos também afetam a função plaquetária e a infiltração das células cancerosas na medula óssea pode ter um efeito profundo nos pacientes oncológicos, afetando no seu programa de reabilitação.

Um dos sintomas mais óbvios de plaquetas baixas é o sangramento, o nariz, as gengivas ou as bochechas dentro da boca sangram sem motivo, no caso de uma pequena ferida, a hemorragia não para por um tempo. Também é possível que ocorra um sangramento dentro do corpo que se manifesta como hematoma ou nódoas negras. O principal sintoma de hemorragia interna devido a púrpura é o aparecimento de manchas vermelhas ou roxa na pele, algumas manchas roxas ou avermelhadas pequenas sobre o corpo aparecem como uma erupção cutânea, também podem ser um sintoma de contagem de plaquetas baixa no sangue. A contagem das plaquetas inferior a 50.000/μ l pode ser perigoso.

Uma avaliação rigorosa deve ser realizada pelo fisioterapeuta antes de iniciar qualquer terapêutica nestes pacientes, considerando as condições clínicas e os parâmetros fisiológicos (hemoglobina, hematócrito, leucócitos e, principalmente, o número de plaquetas). Com base nisso, De Vita e cols., em 2008 e Stubblefiels e O’Dell em 2009, recomendaram algumas precações em relação a prescrição de exercícios nos pacientes oncológicos, destacando o tipo de exercício conforme as contagens de plaquetas.

Abaixo segue as principais recomendações:
  •  Plaquetas <10.000/mm³ com transfusão de plaquetas antes do treinamento: atividades de vida diária (assistidas e essências) e saída do leito com supervisão, nenhum exercício antigravitário ou resistido,
  •  10.000 - 20.000/mm³ sem nenhum sinal de sangramento: atividades de vida diária, exercícios ativos, isométricos, isotônicos com leve resistência. Nenhum alongamento prolongado,
  •  20.000 - 30.000/mm³: deambulação assistida, exercícios ativos e leves, mobilidade funcional,
  •  30.000 a 50.000/mm³: atividade física moderada, exercícios resistidos (até 1kg) e deambulação,
  •  Acima de 50.000/mm³: programa de exercícios resistidos e até treino aeróbico,
  •  vibração torácica isolada com plaquetas acima de 30.000/mm3, e as manobras torácicas (higiene brônquica e reexpansão pulmonar) e a técnica de aspiração podem ser realizadas com contagens acima de 50.000/mm³.
Estudos recentes e de acordo com a Associação Médica Brasileira (AMB), a prática de exercícios físicos supervisionados pelo fisioterapeuta, conforme as recomendações já citadas, pode ser seguras em pacientes com câncer e/ou plaquetopenia grave, plaquetas > a 10.000/mm³ com reposição (transfusão de plaquetas). Nessa linha, trabalhos apontam para potenciais benefícios da terapia por exercício, como os advindos da fisioterapia e da prática de exercícios físicos, na recuperação de pacientes com câncer. O exercício promove alterações físicas, humorais e funcionais e é de grande valia, associado as demais terapias.

A fisioterapia tem sido indicada em várias fases do tratamento com câncer, objetivando melhora e manutenção das funções motora e respiratória. Em 2004, Marchese e cols. observaram aumento na amplitude de movimento das articulações indispensáveis à marcha, assim como da mobilidade e dos movimentos, por meio da reabilitação neuromotora realizada por profissionais de um serviço de home care. Alguns autores também discutem a melhora do quadro respiratório desses pacientes, quando submetidos a técnicas de desobstrução brônquica e relatam, ainda, diminuição do quadro de dor, para pacientes em cuidados paliativos, incentivadores de fluxo, apoio abdominal, ginga torácica e aspiração endotraqueal também podem ser condutas fisioterapêuticas adotadas.

O objetivo da reabilitação para os pacientes com câncer é melhorar sua qualidade de vida para a produtividade máxima com dependência mínima, não obstante a expectativa de vida. O processo da reabilitação para pacientes com câncer pode ser definido em quatro estágios e o paciente pode mover-se entre alguns ou todos estes estágios.

Vários autores referem-se, considerando cerca de 20.000 mm3 o valor mínimo de plaquetas para que o paciente realize exercícios de forma segura. Vale lembrar que apesar da literatura nos trazer um valor mínimo de referência de plaquetas para a realização do exercício físico, devemos considerar também outros valores importantes como por exemplo, o da hemoglobina - proteína que transporta oxigênio aos tecidos. Não devemos esquecer, também, da importância de uma avaliação bem realizada da condição clínica do paciente como um todo, respeitando sempre a especificidade de cada caso e sendo assim possível realizar exercícios de forma confortável, eficiente e, principalmente, segura para o paciente e para o fisioterapeuta.

Referências Bibliográficas
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  • ALMEIDA EMP, Andrade RG, et al. Projeto Diretrizes. Exercícios Em Pacientes Oncológicos. Reabilitação. Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, 2012.
  • ALMEIDA, Elisangela; CECATTO, Rebeca;  et al Exercício em pacientes oncológicos: reabilitação - Junho 2011.
  • FRANCA, Eduardo; FERRARI, Francimar; FERNANDES, Patriciaet al.Fisioterapia em pacientes críticos adultos: recomendações do Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira - São Paulo (SP) RevBras Terapia Intensiva,2012.
  • ZALAF,Lívia. Podemos fazer Fisioterapia em pacientes Plaquetopênicos?  Disponível em <http://fisioterapiahospital.blogspot.com.br/2015/07/podemos-fazer-fisioterapia-em-pacientes.html>. Acesso em: 12 maio 2017.
  • Plaquetopenia. Equipe Oncoguia.Disponível em <http://www.oncoguia.org.br/conteudo/plaquetopenia/214/109/>. Acesso em: 10 maio 2017.
  • VARGAS, Suelen. Paciente plaquetopênico. E agora fisioterapeuta? Disponível em <http://www.bioonco.net/paciente-plaquetopenico-e-agora-fisioterapeuta>. Acesso em: 10 maio 2017.